Do Gaúcho à Dom Vicente
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Meados de mil e quinhentos Numa província da Espanha, De Ronda o Mundo ganha O pai de muitos talentos, Afinal seus pensamentos Viraram tinta em papel, Assim se fez menestrel Dessa forma de poesia, Era a décima que nascia De Dom Vicente Espinel!
Bendita seja a “Espinela” Décima de Dom Vicente, Quem ouve, conhece e sente Sua estrutura tão bela, Compreende a força dela Que outra jamais vai ter, É o sentir e o querer Do poeta de mente rica, Que em dez versos se explica Por sua forma de ser!
Um marco de trajetória: O livro “Diversas Rimas”. É uma das obras primas, “Obregón”, a tua história. O fruto de tua memória Ao Novo Mundo se expande, Sem que ninguém comande Com forte auxílio dos anos Talvez por alguns “hermanos” Chegou até o meu Rio Grande!
Aqui, Francisco Ferreira Fez dela um manifesto, Delfina Cunha, um protesto. É a décima à nossa maneira, Que não encontra barreira Que não se faz pessimista É trilha, caminho e pista Pra o poeta peregrino Até o autor de nosso hino Em vida foi decimista!
Se passam trezentos anos Da data de tua morte, e Deus clava a sorte Nestes pagos campechanos, Fortes ventos pampeanos Atravessam rio e fronteira, Abençoando a parteira Que trouxe a este plano, Um tal Jayme Caetano Na querência missioneira!
E ele se cria aragano Pajando por todos cantos, Conhece Sandálio Santos o “payador” castelhano, Que mostra à Jayme Caetano O seu talendo em pajada, Segue então esta estrada Na qual veio a crescer, Pra o gaúcho conhecer A “Espinela” improvisada!
Jayme então é aclamado Por toda a nossa terra Um decimista de guerra Que conquista seu reinado, Tem no verso improvisado Toda sua sabedoria, Destreza e galhardia, Qual manada de capincho, Por eternizar num “Bochincho” Seu estilo de poesia!
Cantamos felicidade, Improvisamos tristeza, Exaltamos a beleza, Com muita cordialidade, Por ter a genialidade De um passado gaudério. E no campeiro critério Da milonga guitarreada, A décima virou pajada Neste garrão de hemisfério.
Fica o agradecimento Deste gaúcho contente Obrigado Dom Vicente Pela “base” do talento, Estrofe de fundamento Merece ser exaltada E por ser abagualada “Rebenta” qualquer cancela, Sendo o pai da “Espinela” És padrinho da pajada!