Do Tempo e da Mulher
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Abro o peito, mas no entanto não sei se o canto garanto como meu tema requer. É preciso muita cancha na garganta quando as razões de quem canta se afinam pela Mulher.
Vejo o Rio Grande a nascer do ventre rude da china cruza de bugre com português e espanhol, e a imagino no seu franzino de estampa uma síntese da pampa a sangrar partos de sol.
Renasço cruzes e levanto das raízes senhoras e meretrizes - tão desiguais, tão iguais. No seu destino de matrizes geradoras as santas e as pecadoras não são menos, nem são mais.
Por isso as canto, e ao cantar não discrimino a mulher de mau destino e aquela que o ouro entrança. Mães - uma e outra -, orações do mesmo terço, são iguais ao pé de um berço que embalança uma criança.