Alma em Verso
Poesia

Drama de Alerta

Paulo Roberto Alves da Silva

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Dera luz, ainda moça, talvez faltando juízo, sem saber que era preciso pra ser mãe certa noção. E o pai sem precisão para seu dever paterno, lhe disse: Que vá pro inferno e se perdeu no rincão.

Lá puxa como é que pode ver-se um caso assim notável, um pai tão irresponsável de idéia tão mesquinha, deixou a esposa que tinha e se perdeu pela querência talvez pese na consciência a imagem da filhinha.

Pobre mão sofreu demais na cancha reta da vida, teve uma sina cumprida num ranchito lá no fundo, e com sentimento profundo traçado como nem tento, de amargura e sofrimento dos desenganos do mundo.

Sozinha... sempre sozinha... ninguém lhe estendeu a mão, nem mesmo deram o perdão aquela mãe descontente, que pedia simplesmente para que não deixasse a esmo, ou um remédio até mesmo para filhinha doente.

Mas com o passar dos anos já cinco anos na frente, a filhinha tão contente no colo da mãe aos agrados, tantos carinhos trocados faziam a mãe feliz, já ficava cicatriz daquele amargo passado.

Vai daí que naqueles anos aquele pai traidor, à quem Deus não dera amor e a consciência reavida, quis que se entregasse a bebida para esquecer os desenganos.

Vai daí que numa certa feita no seu viver mal fazejo deu-lhe o estranho desejo de voltar para o rincão e rever a esposa então que à muito havia deixado mas ele estava drogado com o demônio no coração.

E ao chegar na velha querência a esposa então encontrou, então quando ele olhou em seus olhos viu surpresa, mas também viu a frieza dela não ter perdoado então ficou dominado pelo capeta, é certeza.

Depois de bater na esposa mais uma vez ele fugiu, e quando ela caiu e a cabeça ao bater, ficou louca sem poder mais tarde ouvir sua filhinha que disse: quem era aquele covarde que ela queria saber.

A mãe não sendo culpada de ter perdido a consciência, não tendo clemência pela filhinha querida, vendo a lareira ascendida avançou na garotinha, queimando as duas mãozinhas que o doutor deu por perdidas.

E a garotinha chorando vendo os bracinhos sem mãos, vendo pra mamãe então numa agonia sem fim, dizendo a ela por fim, “Oh! Por favor mamãezinha devolva as minhas mãozinhas que eu não faço mais assim.”