Alma em Verso
Poesia

Etinerário de Vida e Morte

Egiselda Brum Charão

Publicado em

ANTES...

“Terra era vida pulsando, exultando tons de beleza, numa aquarela singela, matizando a natureza.”

______ ** _______

Nesta planura onde os olhos se esfumam, olhando longes, na amplidão das distâncias, o sol aquece a pastagem dos crioulos que relincham nas tardes primaveris.

A alma sorve as ânsias dos invernos inclementes, enquanto o verde esperança vai verdeando nostalgias, quando o doce das laranjeiras prenuncia as invernias.

Então, o Sol se esparrama num telurismo pungente, descortinando as manhãs em campinas verdejantes... E o vôo da passarada, vai pintando no infinito sabiás, quero-queros, seriemas, alvas garças e joão-grandes a ruflarem asas luzentes num coro alado e bendito.

Os rios que cingem meu pago e ceifam vida ao firmamento, têm a mesma sina andeja dos gaúchos da campanha. Caudaloso e contra o vento, num eterno vem e vai, vão terceando destino, rumando dolentemente “direito” ao irmão Uruguai.

ENTÃO... Veio o gado ... E o alambrado rasgou o pago ao meio, delimitando as estâncias. Veio o imigrante... a lavoura... E a terra chorou nas chagas que brotaram do seu ventre e se emprenhou das sementes no ciclo das plantações.

Veio o petróleo, a estrada ... A industria e a evolução calando o berro do boi, que mugia pelos campos... Já não rangem mais carretas nos lançantes das coxilhas. Na cidade, são levas de gente em barracos ribeirinhos, enquanto a sorte andarilha encilha a fera da fome, que ronda os centros urbanos.

AGORA... O progresso é trilho novo redesenhando caminhos com mãos avassaladoras. A terra geme agonias nas enxurradas e enchentes, nas queimadas das florestas e nos poluentes dos rios...

Terremotos matando gente e guerras assolando o povo... A terra grita nostalgias em ciclones e maremotos, na fome minando homens que seguem exterminando as primitivas nações.

A natureza agoniza sob braço implacável e hediondo da devastação! Com tristeza neste bardo aos filhos, pede socorro, num brado à Preservação!