Um Lamento à Carpideira
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Diz que choro de carpideira corta a noite silenciosa, que ela cospe louvando o morto numa reza ruidosa. Chorar, cantar e dançar pelos seus, pelos alheios da noite ao amanhecer em “loas” entrecortadas ao meio. Orar,comer e beber é o mais singelo ritual que de herança nos veio.
No tempo de sol escaldante, das vastidões do deserto. No tempo das divindades que a Deusa da Imortalidade carpia as màgoas dos crentes em rituais para a eternidade. A mãe de todas as mães por todos intercedeu...
E foi sob a egípcia insolação que maternal transcendeu às lendas, aos credos e a própria desolação: chorando pelas pirâmides, pelos doutores da Grécia, pela “velha” Roma que morreu...
Com todos os apetrechos, vestido preto desbotado, lenço de choro encardido, véu, terço mais parentalha que a“bastuària” pranteia o morto na mesa estendido, lamuriando alto pelo finado conforme pagamento recebido.
Também como “prefica” conhecida a senhora que vela defunto que chora, chora e chora muito orando com voz cantadeira, que clama fingindo por todos, suplica e pede para o morto paz na viagem derradeira. . No Brasil, berço da fé e devoção difundiu-se a antiga crença das choronas rezadeiras que “quarteavam” o finado durante todo o velório cantando Incelencias, e muito com vozes apavorantes sob a cruz dos seus rosários.
E ate ‘chimbica’ – a cadela que em seu instinto animal dorme embaixo dos caixões numa rotina irracional, - como sentinela do além acompanha o cortejo até o fim do ritual e feito uma sombra só volta para o próximo funeral.
Hoje, restou Itha Baiana Morena herdeira do ofício milenar de prantear pelos mortos. - Legado de Portugal - Chora acalentando o falecido na passagem celestial... Como Itha vou carpindo no tempo, as desilusões do mundo, da vida, de tudo pelos confins dos rincões!