Alma em Verso
Poesia

Espera

Salvador Ferrando Lamberty

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Ausência triste, que existe... resiste! Passa... passa... passa... desgraça! Anda... anda... desanda... desbota a lágrima que brota de um olhar.

O encontro, o reencontro, o desencontro, espera... espera... desespera O pensamento preso nalgum ponto.

A distância diz tanto e distingue o sensor dos sentimentos que sente... se a graça não grassa de graça e o relógio do tempo, que passa, não volta, nem solta... revolta!

Um sorriso no vazio e frio, a noite tem garras, qual águias, o escuro é escudo e escraviza no silencio que escuta seus dialetos... A espera é uma diva dadivosa dos desejos, ansiedades e paixões, senhora encarnada dos afetos.

Na dor que arrasa a razão ninguém segura uma emoção que percorre as veredas das lembranças. Mas enquanto não se tem o que não vem se rebusca forças bruscas, nessas buscas, e a espera é uma fera que se amansa.

Ó que graça... que grassa... de graça! Vida pregressa, que tem pressa, em se apagar. Saudade é peso, que deixa preso o pensamento que resiste e tanto insiste em machucar.

O amor e flor, fervor e é dor que vela, revela e surpreende... Canta, encanta e desencanta, na voz do coração, que não se rende.

A espera é tempo vago, sem afago, que, sozinho, tem-se espinhos... amargor... Ficam chagas da ilusão, da busca em vão, na mente algum doce imaginário, quando os olhos vão buscar pelas estradas a encomenda que lhe fez o coração.