Permisso
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Pra soltar meu canto largo Neste começo de noite, Quando Rio Grande se ermana Pra confrarias dos versos.
Neste galpão campechano De pau-a-pique barreado O pinho faz um costado eu, patacoero, declamo Quero contar as façanhas, Do índio xucro do pago Que se criou meio vago Cruzando nossas campanhas.
Esta gaúcho que falo É o mesmo venta-rasgada Que ao toque das clarinadas No alvorecer do Rio Grande Montado, e bem a cavalo, De espada, lança e garrucha Foi demarcando a fronteira Da velha pátria gaúcha.
Foi ele sim, o mangrulho O sentinela avançado Rude, guasca, abagualado Que não conheceu maneia E nunca dobrou penacho, Porque não nasceu de susto E nem foi criado guacho.
Sempre esteve na vanguarda Como ponteiro de tropa Chapéu batido na copa Pachola e desafiador Olhos de tigre em peleias, Que calça o pé e não recua Pois traz o sangue charrua Galopeando pelas veias.
Mantém o mesmo estoicismo Que recebeu por regalo E assim há de conservá-lo No mesmo entono de guapo, Amalgamando raízes Pra manter vivos os matizes Do descendente farrapo.
É dele que história fala Há mais de trezentos anos Os seus feitos sobre-humanos Escritos a ponta de lança Em tantas revoluções, Peleou sem pedir clemência Pra defender a querência Da gana de outras nações.