Êxodo Rural
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Pobre campeiro que um dia Deixou a querência amada, Empreendeu outra jornada Em outra terra diferente. Só ele sabe o que sente Desde que dela partiu, No povoero se sumiu Plantando outra semente.
É a semente do concreto Que ele não conhecia. E o tal progresso que um dia Le cabresteou para a cidade, É a tal vida sociedade Que um dia sonhou lá fora, E como lhe explicar agora Os direitos de igualdade?
Que igualdade que nada Se nem onde morar tem, Se para ganhar um vintém Ele derrama seu suor. E o que lhe causa pavor É quando pede por clemência, Nas filas da Previdência E ninguém lhe dá valor.
Se ao menos reconhecessem O muito que ele contrói, É a ferida que mais dói No seu peito já cansado. E quando lembra o passado Cheio de sonhos e esperanças, De que reinasse a bonança Nos quatro cantos do Estado.
Por isso que ele plantava Com graça e dedicação, Mas veio a evolução Com máquinas em quantidade; E empurraram p'ra cidade O braço do trabalhador. Que um dia teve valor, No vigor da mocidade.
O que adianta ser honesto, Humilde e trabalhador? Se bem poucos dão valor Para ti velho caudilho, Se teu cabelo já tordilho Vai mostrando tua idade, E tu pensas com ansiedade No futuro de teu filho...
Assim aquele que um dia Laçou potros campo fora; Também teve que ir embora Buscando uma nova vida. E hoje em uma avenida Passa um vulto apressado, Talvez com o peito lotado De esperanças perdidas!
Ali passa mais um taita Que um dia foi plantador; Foi ginete e laçador Tinha o braço rude e forte, Mas que um dia de tal sorte Tornou-lhe um desgarrado, E assim velho e já cansado Só espera chegar a morte!...