Figueira Amiga
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Frondosa figueira centenária Guardiã dessa morada antiga, No aconchego de tua sombra amiga Gerações e gerações foram passando Teus longos, verdes braços balançando Ao sabor da brisa, a fazer cantigas
Há uma oferta de paz em tua sombra Fazendo o poeta versejar A despacito o tempo foi passando Só tua ficaste marcando este lugar O teu silêncio a guardar histórias Que a sinfonia da manhã vem acordar E na melancólica beleza que entardece A brisa, em prece, vem contigo sussurrar
O sol poente debruçado no horizonte Enquanto a tarde puxa a noite pelo poncho Que, preguiçosa, vai chegando devagar A passarada em teu regaço busca abrigo Pois em teus braços tem espaço pra pousar E os vaga-lumes acendem pisca-piscas E a lua, arisca, vai mostrando seu olhar Beijando gotinhas de sereno Que a noite morna salpica pelo ar
Eu invejo o teu porte altivo Sombra e abrigo ao andejo errante Vejo-me agora de ti tão distante Quisera tanto poder retornar Ao antigo lar, buscando auroras E teu peito amigo reencontrar Minha canção de acalanto Que aí deixei na partida Na xucra oração do mate amargo Seiva do pago com sabor de vida
Voltar pra ti, figueira centenária Que mesmo ferida pelos frios de agosto Segues em teu posto, sem fazer alarde És meu recanto de amor e carinho Quisera eu ser um passarinho E voltar pra ti, qualquer fim de tarde.