Não Aceito Desaforo
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Sempre gostei de fandango De dançar bem apertado E me sinto contrariado Se uma china me dá carão É uma falta de tradição Para um gaúcho pilchado
E isto me aconteceu Na metade do ano passado Num surungo muito afamado Que eu fui para dançar Com o meu cavalo a trotear Lá pras banda do Lageado
Cheguei em frente ao pavilhão Apeei do meu tostado Deixei o bicho amarrado Que ali ficou pastando E eu fui entrando Do meu jeito esparramado
Na primeira abrida de fole Carquei minhas botas no salão E num baita dum vanerão Que o gaiteiro velho tocava Eu e minha prenda rodava Levantando poeira do chão
Mais pro fim do baile Umas cinco da madrugada Avistei uma china sentada Chamei para dançar Nem quis se levantar Como se tasse de cola atada
Fiquei mais surpreso Que cusco quando é vendido Nunca tinha me acontecido Cosa daquele jeito Como uma facada no peito Fiquei ali perdido
Convidei a prenda de novo Não tava acreditando Um carão eu tava levando Pela primeira vez na vida Que hora triste e sofrida Ali eu tava passando
Olhei bem pra moça Que tava me dando o carão Pensei eu não sou peão Que de grosso só tem a cara Arrastei a china na marra Para o meio do salão
E a mulher esperneava E me batia naquela hora Inda bem qu’ela não tinha espora Se não me enchia de corte Esta foi a minha sorte Recordo como se fosse agora
Quando o chamamé acabou Da prenda logo larguei Contigo eu já dancei Pode seguir sentada Mesmo que foi contrariada Desaforo eu não levei