Alma em Verso
Poesia

Fror de Corticeira

Fátima de Jesus Armesto

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Aos olhos do homem comum, o mistério perde-se no tempo e à vezes me pergunto: “Quem é mais ludibriada do que uma flor manipulada ao vento?”

Minha alma tem a cor da paixão igual a flor de corticeira, que derrama sua beleza apesar da leveza da madeira. A mulher toma o seu espaço, qual florada de primavera. Não há quem se segure, pois domá-la, quem dera!

Todas as mulheres do pago não como a flor de corticeira, que brota de um tronco áspero, mas se enternecem, a cada afago, mesmo que a razão não queira.

No balançar do vento os galhos são lançados ao chão. Assim vejo a mulher hoje, que busca na vida atribulada a fuga da nostálgica solidão.

Assim lhes digo: a vida é uma prenda é recheada de porquês, onde só uma flor encarnada poderia figurá-la com altivez.

O vermelho que encanta os olhos serve de devaneio aos poetas, pois com suas mãos de artesãos, vem delinear as formas mais secretas. Estas formas, chamamos de poesia que encanta mais que a alma arrebenta nossa vida de alegria.

Por isso somos com uma flor de corticeira que enfeitiça, estonteia, aqueles que nos buscam.

Nossa beleza é mais que divina pureza. É o abrigo de todos os guapos, é mais que fortaleza de nossos pobres farrapos.