Funeral do Vagalume
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Morreu o vaga-lume. Menos uma estrela no campo.
O verão pincel das noites Com luzernas encantadas. Os pirilampos e estrelas, As luas e as aguadas, Acendem olhos e olhos - Brilham asas sobre a estrada!
O vaga-lume pampiano Penetrou no rancho morno. Talvez, pedindo licença...
Quem sabe a língua da luz, O piscar de sua estrela, Quem sabe a língua das asas, Quem sabe a voz da boieira?
Espantado co'as prisões Que os homens sem luz constroem, O vaga-lume arranchou-se Pra saber somente o gosto De adormecer entre pedras, Entre paredes e portas, Entre janelas fechadas, Sem lua sem nada.
Pensava ele que os homens Eram tristes criaturas - Que "embora piscando os olhos, As vistas lhes eram escuras".
"Talvez, por isso tropeçam e erram tanto de estrada e fabricam luzes altas na cidade atrapalhada. E festejam com fogões A luz boa da alvorada."
"Por isso, que acendem velas pra pessoinhas de pedra e a estas pedem milagres em forma de "luz eterna".
"E pr'aqueles que fazem cova - que nunca vi o germinar - por um dia acendem velas que o vento vem apagar. - Coitados! Esses não voam, nem vêem o dia raiar..."
foi pensando desse modo, que o vaga-lume curioso entrou no rancho sem luz - no seu voar silencioso...
hoje - amanhã - vi seu corpo, a luz inerte e apagada, feito só desilusão, faminto da luz dos campos.
Desaprendeu a alvorada, Desaprendeu o candeeiro. Somente voando, encontra As razões do seu luzeiro.
Somente voando, sabe Ler a sua vocação: Semear sementes de lua Nos olhos da escuridão.
"O vaga-lume está morto. Menos uma estrela no chão."