Galpão
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Meu tosco galpão de estância erguido sem aparato, aqui no mais te retrato sem te pedir permissão; abrigo guasca sem luxo, lar paterno do gaúcho, sala de estar do patrão.
Galpão retaco e petiço de santa-fé desabado, que se varre mal tapeado uma que outra manhã; todo pintado de graça pelo pincel da fumaça molhado no picumã.
Escola viva dos campos onde ao tremer dos candeeiros os velhos guascas tropeiros vão escolando os piás, intercalando no ensino embretadas do destino e encontros com boitatás.
Churranco feito em teu fogo tem sabor mais apurado, porque se entranha no assado que devagar vai tostando, um aroma de mel de abelha que vem da tora vermelha do velho angico queimando.
Sob as traves do teu teto nossa gente rememora as arrancadas de outrora glorificadas na história; quando, nos choques fatais o relincho dos baguais era o clarim das vitórias!
Velha caserna crioula que avaramente resguarda nosso soldado sem farda da tropa da tradição; o mesmo bravo soldado que sustentou no passado a ferro e fogo este chão!
No recesso de teu ventre saturado de fumaça, amalgamou-se esta raça soberana das coxilhas, que nos legou por herança, escrita a ponta de lança a história dos farroupilhas.
Ao calor dos carvões rubros do fogo aceso em teu chão, a crioula tradição se retempera e se expande, conservando nas histórias as cicatrizes e as glórias do verdadeiro Rio Grande!