Gaúcho Não Chora
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Isto foi em Trinta e Cinco quando uma guerra assassina banhava toda a campina com sangue dos desgraçados. Num velho rancho de palha, junto da mãe, que chorava, um gurizito penava, num pobre catre. Coitado.
Ele era o espectro da mágoa, chorando a triste viuvez; Ele, o guri que há um mês sofria- barbaridade. era a vítima inocente dos erros de prepotência. Ele carpia a indigência. Ela chorava a saudade.
O pobre do gurizito, sem compreender a razão, rebenqueava o coração da pobre mãe que chorava. E quando, com voz fraquita, perguntava pelo pai, a pobre velha, num ai, sustentando o pranto falava.
Teu pai, meu filho, se foi, para uma eterna tropeada. Mas, não chores, não é nada, Deus velho sabe o que faz. O tempo passa meu filho, e um dia talvez, quem sabe, a guerra... a guerra se acabe e a gente terá a paz.
-A paz... a paz, minha mãe? Será que essa coisa existe? Eu ouvi meu pai tão triste, dizer pra mim certa vez: -Meu filho. Esta vida é maula tens de cuidar-te, rapaz. mesmo que vivas em paz te cuida de algum revez!
-Meu pobre pai! Eu bem sei: “caramurus” o mataram, e, desgraçados, deixaram eu e tu, mamãe, solitos. Eu sou pequeno, mas juro: que um dia, quando eu crescer, esses malvados vão ver, hei de mata-los, toditos.
-Meu filho, não te revoltes. Estás doente... está fraquinho. Descansa, fica quietinho, e dorme um pouquinho, agora. Que é isso? Estás chorando? Mas diz-me: Não és farrapo? Tens, entorcer, que ser guapo, pois um gaúcho, não chora!