Cozinheiro e Assador
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Toda vez que se reúne, A gauchada campeira, Vão aquentando a chaleira, Pra tomar o mate amargo E surge um grito a lo largo: Faz uma carne assador. Seja frio, seja calor Ele sabe seu encargo.
Faço o fogo, limpo espeto, E já bota a carne pra assar. E nunca falta um piá, Pra pedir um pedacinho, Pode ser meio gordinho, Pra tirar o gosto da boca Porque a fome é china louca Que vem rondar nosso ninho.
Me sapeco, me enfumaço, Me tapo de judiaria, Sou assador e sou cria Do Rio Grande pêlo duro, Já assei carne no escuro, Em tropeadas e andanças E sei desde criança Esta lida, lhe asseguro.
Quando o churrasco está pronto, A gauchada se atraca. Chega chairando a faca Pra carne magra ou granito. E o capataz prega o grito: Trás a farinha seu moço, Pra misturar com sal grosso Este tempero bendito.
Faço arroz de carreteiro, Abobrinha e guisado, Do aipim faço ensopado Com caracu e granito, É meu prato favorito, A base de vinho e pão Sento perto do fogão E vou comendo despacito.
O assador é uma peça, Fundamental numa festa. Pois está sempre na testa Da ardente churrasqueira. Carvão ou lenha de aroeira, Assa uma carne ligeiro. É aí que o churrasqueiro, Faz uma carne de primeira.
Assei carne, fiz a bóia. Só sobrou, espeto e panela. Passaram tudo na goela. Assim fico satisfeito, Tudo no maior respeito Entre peão e capataz. Pois o gaúcho é de paz E vive assim deste jeito.