Alma em Verso
Poesia

Na Cancha Reta do Tempo – Giba Trindade

Giba Trindade

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A tarde já se entregava No comércio dos Fagundes, Há muito a carreira grande Tinha cumprido a função, E o povo agora se achava Com pouca motivação... Eis que surge o Aparício Cabresteando um parelheiro, Desafiando até os parceiros Com arrogância de patrão.

O zaino era um encanto Coisa linda de apreciar, Pelo fino e apoderado E consciente do seu entono, Que era orgulho do seu dono Dava pra ver só de olhar.

Ninguém topou a parada Nem atentou pra algazarra, Tiravam aquilo por farra Por saber de suas bravatas, E por conhecer o cavalo, Pois segundo o comentário Do povo do vizindário, Tinha o demônio nas patas.

Fazendo grande alvoroço E juntando gente a sua volta Feito corvos na carcaça, O Aparício e seus comparsas Botavam fé na jornada, Mas a arisca gauchada, Seguindo a voz da razão, Pisavam miúdo no chão Olfateando uma enrascada.

Escorado num ruaninho Na sombra de um cinamomo, Um Paisanito franzino Olhava aquele alvoroço Com ar curioso na estampa... Trazia a marca do pampa No seu olhar reservado, E por isso só foi notado Quando tapeou o chapéu, E sem fazer escarcéu Tampouco alardear pujança, Dizer com voz compassada: - Se me permitem a olada, Boto meu ruano na cancha!

Estancou toda a algazarra Da gauchada presente, E o que se ouviu de repente Foi o grito do Aparício Retrucando pro Paisano: - Pode trazer teu cavalo Pois já está pronto meu zaino!

E empeçou uma jogatina Como ali jamais foi vista, Davam luz entre risadas E até dobravam parada, E diziam a boca grande Os comparsas do Aparício, Que a carreira estava ganha E até repassaram a canha á contando com a bolada.

Mas a vida traz surpresas Que até ao incréu apavora, Quando gritaram - É agora! O ruano saltou na frente E lhes digo foi comovente, Ver o Paisano sozinho Com mesura abrir caminho, Entre a fuzarca povoeira, Pra ver um zaino apanhando Sentindo a missão ingrata, E o ruano mandando pata Pra chegar. antes da poeira. Perdeu o entono o Aparício Curvado a falta de sorte, Por fim aparando o golpe Virou a guaiaca e pagou, E os comparsas de façanhas Sem motivos pra comício, Cessaram com o rebuliço Pra cochichar junto a canha.

E o Paisanito franzino Mesclado as réstias da tarde, Montou sem fazer alarde Dando a olada por finita, E saudando a estrela solita Na sua feliz cruzada, Botou os sonhos na estrada Assovindo uma coplita.

Fiu-fiu-fifi-fifiu... Fiu-fiu-fifi-fifiu...

Obs: A música assoviada é Mocito de Ubirajara Raffo Constant e interpretada por César Passarinho.