Quando Um Taura Solta o Laço
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É um trovão no descampado e uma carga farroupilha É o pampa de braço erguido derrubando o alambrado
É o estouro de uma tropa E o relampear de uma adaga no calor de um entrevero São grilos na noite escura E uma revoada de garças num entardecer campeiro
Quando um taura solta o laço
É o canto do passaredo e são relinchos de cavalos É a goela rouca das rãs no bamburral do varzedo
É o estalar de um braseiro E uma cambona chiando fervendo junto a um tição São asas de um joão-de-barro E o piar de uma coruja na cumeeira do galpão
Quando um taura solta o laço
São sonhos que ganham asas e o rangir de uma cancela É um quero-quero gritando no chapadão junto as casas
É um grito de flor e truco E um galo macho cantando anunciando a madrugada São patas de parelheiros E o murmúrio de uma sanga no fundo de uma invernada
Quando um taura solta o laço
É um sapucay bem soltado e os gemidos de uma china E são grunhidos de gato num namoro de telhado
É o canto de uma cigarra E os pulos do coração depois de uma longa ausência É um touro xucro berrando E a algazarra dos tajãs nos banhados da querência
Quando um taura solta o laço
É um borbulhar de pucheiro e um choramingar de gaita São acordes de um violão num bochincho galponeiro
São as esporas cantando E são os furiosos berros dos guerreiros guaranis São guinchos de um bandoneon E o rugido das enchentes nas barrancas do Ibicuí
Quando um taura solta o laço
É o latir da cachorrada e são guizos de cascavel É um carancho gritando numa terra recém lavrada
São estalos de arreador E um tropel a campo fora com pisotear de flechilhas É o estrondo das tormentas E o assoviar do minuano lá no alto das coxilhas
Quando um taura solta o laço
É a xucra história do pampa que voa junto com a argola Indo aninhar-se pachola num arisco par de guampas