Todo um Conjunto de Mortes
E se sabia que o “Anjo” não ia durar pra sempre... Como a árvore sem frutos que vergou sobre si mesma e, anterior a si própria, permaneceu... e se fundiu com as sombras.
Em outros tempos teria sido semente... Mas não em nosso tempo!... Hoje, retornou ao nada... pura ausência e solidão....
Teria que ser quando andava na estrada, tropeando a volta de andar caminhos com a desculpa de conduzir gado ajeno de um lado pra outro... senhor de si...
Melhor ainda seria quando das “pegas-de-potro” em que arriscava o pelego por patacoada nomás... Que de ginete tinha apenas a coragem e um total desprendimento de cuidado com si próprio.
Ou quando tomava um trago e a canha fazia vezes de cambiar o que era manso em prenúncio de tormenta... E o ferro branco cruzado plantava mais algum talho no cercado dos recuerdos pra nascer em cicatriz.
Teria sido melhor se junto ao único irmão – Honorato... que ficou quieto, apertado, no estouro de uma rodada, embaixo de um mouro-pampa na Estância da Lechiguana. Um pouco se foi também quando afinal percebeu que não dava mais na “radia” os “aviso” pra campanha, logo após o meio-dia... Que diz que foi o tal celular que terminou... Daí em diante não mais se situou no tempo.
Mais um pedaço se foi quando arrendaram pra soja a Estância do Camaquã... Lá nasceu e se criou!... E conhecia esses campos melhor que cada sinal que possuía na pele... Não encontrou mais os passos, muito menos as picadas, que foram volatizadas pelos tratores de esteira, que não poupam nem os matos pobremente defendidos por cipós e japecangas e quartéis de unhas-de-gato.
Se perdeu mais uma parte quando foi alçar a perna e não montou a cavalo... Porque um tombo - quando novo - “lunanqueou” a perna esquerda... E agora, depois da idade, o diabo cobrou a conta. Se foi a última ponta quando amanheceu o dia encarcerando o horizonte na moldura da janela de um ranchito de arrabalde, lá pelo Passo das Pedras. Sem sentir os descampados ou a poeira das estradas, com as penas extraviadas numa coplita assoviada de um trotezito rimado...
Todo um conjunto de mortes que se juntaram em uma... Toda uma ausência de sonhos que virou imensidão... Mais um que se foi num tempo perdido de outros tempos... E que morreu de saudade mesclada com solidão.