Charla de Mateador
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Ah! Mate amargo bendito que tenteio reverente, o passado e o presente passam ente mim, contrito, aqui matiando solito junto do meu cusco baio, quero sair mas não saio, do peso desta agonia, como Confúcio diria: o mundo velho é um balaio...
E, dentro dele, eu me vejo, no barro de uma mangueira, quando apojava tambeira, tirando leite pra queijo e de falquejo em falquejo, repisando trajetória, trago vivos na memória os arrepios que sentia, quando ouvia e aprendia os “causos” da nossa história.
Ah, Centauros que riscaram as marcas da nossa linha, desta pátria que era minha, e os ancestrais nos legaram e que agora hipotecaram, por má-fé ou falta de senso! olho o tempo, quieto, imenso, tão presente e sempre antigo, e passo a remoer comigo, tudo o que sinto e que penso!
Meu cusco de patas juntas, debruçado no borralho, como eu, joga baralho, com recordações defuntas, como a fazer-me perguntas, silencioso, de mãos postas, eu não posso dar-lhe as costas, a um amigo, não se mente, fico mateando, somente, porque não tenho resposta,...
E aqui neste lusco-fusco, de silêncio e de fumaça, me enternece e me congraça, a ternura do meu cusco, e até compara-lo, busco, no fundo do pensamento, com as máguas e o sofrimento dos humanos que se ofendem, se matam, se desentendem, por falta de sentimento.
E chego a entender, em parte, a religião que comungo, um pago, um cusco, um matungo, uma china, um estandarte, e por que o Rio Grande é parte do Brasil, no todo imenso, eu sou brasileiro, penso, e, ao mesmo tempo, não sou, ainda ninguém me explicou: o pingo, a bandeira, o lenço...