Galpão
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Galpão velho chamuscado No fogão de gerações Onde as velhas tradições Desentonadas e ariscas Se renovam nas faíscas Quando se bate os tições!
Trazes ao meu pensamento O que dantes existia Nesta Província bravia Gaúcha e pevilegiada Na primitiva alvorada Do Rio Grande que nascia!
Velho abrigo Rio-grandense Plantado na pampa nua Onde a carne meio crua Irmanou com Portugal A velha Espanha imortal E o nobre sangue charrua!
Foi bem ali junto ao mate Nessa rude comunhão Quwe definiu-se o padrão Do gaúcho flor do pago Caudilho monarca e vago Cheio de amor ao rincão!
Na formação do Rio Grande Nada influiu como tu E até o gaúcho mais cru Como berço considera Este abrigo que venera Desde Sepé Tiaraju!
Por isso ao te ver deserto Local de duendes e assombros. Eu sinto sobre os meus ombros Na escuridão que se alarga, O peso da dor amarga Que brota dos teus escombros!
Só te resta a luz escassa Dum campeiro entardecer E me parece ao te ver, A luz desse clarão vago Que és a alma do meu pago Que está por se desprender!