Meu Pingo
Publicado em
O pingo do meu arreio fui eu mesmo que domei, arrocinei - enfrenei, no estilo do pastoreio, mestre de cancha e rodeio, gateado - de toda a clina, fogo aceso na retina que jamais apaga o brilho, é o cavalo que eu encilho nos dias de ver a china!
Me espicho ao trote chasqueiro num toadita de ronda bombeando a lua redonda daquelas de corpo inteiro talareando o parelheiro que não precisa de pua nessa comunhão charrua entre o gaúcho e o pingo que advinha que é domingo e vou rever a chirua!
Ele conhece o caminho das outras vezes que veio e vai atirando freio no rumo certo do ninho eu me tapo de carinho o coração corcoveando meio tonto imaginando um beijo de amor sincero, e não falta um quero-quero pra avisar que vou chegando!
Tanta estrada percorrida, tanto caminho gastado, já de cavalo aplastado, no fim - não tem mais saída, que adianta entender da lida, se já não doma e tropeia, quando a vida que tenteia é menos que meia vida!
A morte - as vezes - é boa, o velho taita descobre, só o cusco - o amigo nobre, no rancho - junto à lagoa, a chuva fina encordoa, lavando a noite sem fim, quem vai chorar gente assim, a não ser uma garoa??