Paraiso Perdido
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Quem já leu o livro santo conheceu o que é preciso, entendeu o paraíso que era um lugaraço e tanto, na realidade o encanto dos tempos de antigamente, ali não havia doente, todo o mundo era sadio, céue campo, mato e rio e primavera somente.
Que beleza de lugar, diz a sagrada escritura, a luz de graça, água pura, sem B N H a incomodar, sem imposto pra pagar, sem as filas, sem bandido, sem congresso, sem pardido, ontem, hoje e amanhã, no meio disso, a maçã que era o fruto proibido.
É o bicho amis burro, o “Homem” pois tudo corria bem, ninguém roubava ninguém, ninguém trocava de nome, ninguém morria de fome, nem havia o diz que disse, foi preciso que existisse um asno nessa Canaã: -Adão comua maçã, embora Deus proibisse!
E a gente logo imagina pois tudo foi de improviso, a sombra do paraíso coberto pela neblina, a Eva- um florão de china, o pai Adão- cabeludo, índio grosso sem estudo, desageitado, sem roupa, viu a maçã “dando” sopa e comeu com casca e tudo.
E formou-se a confusão, depois desse desacato, a Eva se foi ao mato e logo atrás o Adão, resultado, a punição que tanto transtorno encerra, veio a doença, veio a guerra, veio a miséria, a ganância, e nasceu a discordância nos quatro cantos da terra.
E o Senhor disse ao Adão, já roído pelo desgosto: tu vais, com o suor no teiú rosto, comer, de hoje em diante, o pão sentir frio, dormir no chão, a vida será uma luta, daí toda a lida bruta, decretada a cada um: vivendo nesse zum-zum, só por causa de uma fruta.
E foi criado o inferno, o verão, a primavera o medo, a mentira, a fera a geada o frio o inverno, além disso o pai Eterno deixou que o homem sofresse, que amasse, que envelhecesse e vivesse do serviço, e depois de tudo isso, só ia ao céu quem merecesse.
E seguiu a mesma farra numa verdadeira afronta e ninguém pagava conta cantando que nem cigarra, com cordeona, com guitarra, a cousa seguiu fervendo, Deus terminou compreendendo, ante a falta de respeito que a seguir daquele jeito, o inferno acabava enchendo.
E mandou Nosso Senhor, o Menino de Belém, o que em cada Natal, vem trazer carinho e amor, mas o homem pecador, ao qual o dólar seduz não quis compreender a luz, da fé e da fraternidade, Jesus falava em verdade e o pregaram numa cruz.
Conta a sagrada escritura e a gente acredita nela, que o autor da mensagem bela, de carinho e de ternura, o trazia alma pura em todas as dimensões, o Autor de mil sermões, de montanha e descampado, acabou crucificado no meio de dois ladrões.
E o homem que fez então, depois da morte sublime, ao invés de expiar o crime, num pedido de perdão, ao tentar a salvação, do inferno e da fogueira, chorando a sua maneira, o paraíso perdido, muito embora arrependido, seguiu rondando a macieira...