Alma em Verso
Poesia

Balseiros do Uruguai

Joao Pilati

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Quando velaram o velho balseiro, Alvo, esticado, pavio de cabelo, Velas choravam na balsa de vê-lo, Pose de tronco entre lata e largueiro.

Castas viúvas estas velas Improvisam castiçais São os pires caravelas Navegando o nunca mais.

Olhos choravam a última enchente E ele aguardava o ponto das águas Para levar as suas últimas tábuas Na enxurrada de reza e de gente.

Castas viúvas estas rezas Improvisam grandes ais É o rio que se retesa Pra dizer que nunca mais.

Pobre Uruguai hoje em leito de usina, Pior do que a morte é viver a tua sina! Quem dera a enchente do velho parceiro

Corresse ao leito da tua agonia, Para contigo prantear neste dia Aqueles tempos dos guapos balseiros!

Castas viúvas as estrelas Nos milênios siderais Bruxuleiam como velas De silêncio e nunca mais!

*A mi viejo amigo Ivo Rodrigues y, “in memoriam”, a los guapos jangaderos Abílio Rodríguez y João Pilati.