Alma em Verso
Poesia

Joao Sem Terra

Renato Silva

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Tiraram minha identidade Tiraram a terra que eu tinha! A terra que era minha Que hoje já não é mais Foi herança dos meus pais Herdada dos meus avós Mas que tiraram de nós Por covardias banais.

E hoje estes covardes Nos expulsam destas terras Botam milicos de guerra Pra baterem em nossas crianças Matando nossa esperança A mando dos coronéis Invés de estar nos quartéis Nos dando mais segurança.

Governo nós não temos Nem presidente se tem Não dividem com ninguém Os donos das sesmarias Que tem terra em quantia Enquanto outras criaturas Não tem nem pra sepultura Quando chegar o seu dia.

Se fala em reforma agrária Dos grandes latifundiários Em pampas imaginários Dividir com os que não tem Mas vamos esperar de quem? Se até os gritos se perderam Se nossos heróis morreram E não nasceu mais ninguém.

Quanta terra improdutiva E quanta gente atrás dela A fome ronda as panelas Do povoeiro favelado Enquanto que os magistrados De bolso e barriga cheia Chegam a fazer cara feia Quando encontram estes coitados.

Viram a cara pro lado E até cospem de nojo Esquecem que o apojo Sempre quem bebe é o terneiro Pra que te serve o dinheiro Se no dia em que morrer O pobre e o rico vão ter Na terra o mesmo mau cheiro!

A terra é quem dá o fruto Por isso a terra é sagrada A terra foi abençoada Quando Deus criou o mundo Nós devemos ir a fundo Pra não deixar esta gangue Nos tirar gotas de sangue Pra sustentar vagabundos.

Por isso que o João sem terra Que vive assim como eu Que constrói o rancho seu Em moirão, tronco e porteira Que lutou a vida inteira Na busca do seu quinhão Não tem um palmo de chão Pra sua própria caveira...