Sinos dos Sete Povos
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Quando me acho solito orelhando as madrugadas Vejo a ampulheta do tempo da força do capi’i E ouço os ventos silvarem nos peraus e nas quebradas Trazendo as vozes dos sinos do Império Guarani.
E o meu pranto antigo que ninguém acalma Me corre nas veias... Retumba em tropel Pois tenho um badalo e um sino na alma Que bate mais triste que o de São Miguel.
Por isso para um missioneiro até os sons mais naturais Que povoam horas calmas emplumando madrugadas Tem o bronze empadilhado das torres das catedrais, E as plegárias ameríndias esquecidas e olvidadas...
Assim me vou noite adentro... Solitários guitarreiros Se arrendam nas cordas...Espareiam sentidos Os sons que me chegam no vento pampeiro: Negaças de tigres... Bárbaros rugidos!
Quem sabe a magia arisca desta terra colorada Tingiu de plasma escarlate este meu estro guerreiro E se muitos erguem bandeiras na arte asertanejada Eu conservo a limpidez do meu sino missioneiro.
Pois canto e rebroto como um vegetal E se já fui madeira hoje sou m’baracá Que guarda no bojo ninhos de zorzal E gorgeios da sanga com encanto avá
E o meu pranto antigo que ninguém acalma Me corre nas veias... Retumba em tropel Pois tenho um badalo e um sino na alma Que bate mais triste que São Miguel.