A Tasca da Terezona
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Elas vieram se achegando Uma a uma.. Trazendo os corpos e os planos Empoeirados de lágrimas e estradas Pra uma vida nova nesse fim de mundo! Tinham o céu nos sonhos dos sorrisos largos Elaços coloridos nos cabelos negros, Passando imagens plenas de inocência Em uma estampa coberta de pecados ... Limparam a casa... Dividiram os quartos E, numa tentativa simbólica de família. Até faziam os sonhos parecerem lares! A notícia se espalhou entre a peonada De que, na casa verde, ao fim do corredor, Chegaram mais quatro chinas. Meninas flores de trevo, Ainda na tenra idade, Com jeito de moça esperta E malícias lá da cidade! Uma luz rubra no oitão da entrada Anunciava "permissos" de paragem Que o andante conhecia muito bem ... Lá dentro, uma penumbra de candeeiro Mesclada na fumaça do palheiro E uma vontade danada de ir além! A noite exorcizava os seus demônios Na volúpia exuberante dos carinhos E o álcool torpe dizimava a dor. O tempo já sem tempo pra saudade, Encobria uma senil felicidade E os fósseis antigos de outro amor! Distribuíam paixões e fantasias Nas luxúrias lascivas dos chamegos E incendiavam os catres de pelegos No devasso furor de corpos quentes, Sem importarem se o amor tem preço Ou se um corpo, em outro endereço, Preenche espaços de outro corpo ausente! Um cheiro etílico nos ares E batom vermelho nas bordas dos copos ... O tango tastaviava nos seus passos Um bailado torpe e indecente Que era regado de ironia e de cerveja, Excomungado na família e pela igreja, Mas refúgio de amor praquela gente! Os peões traziam dízimos de changas Eo suor queimado em tardes de lavoura, Que cambiavam por momentos de carinhos E juras desconexas de um amor eterno! Um templo sagrado e confidente Para uma fuga devassa dos carentes Que precisam exercitar a timidez.... Tentação libertina para o peão Que cansou de provocar a solidão Nas impaciências da "primeira vez"! Mas ... Tudo o que é liberto dá benção ao ódio... E um comitê de "santas " paroquianas Começou marchar incontinenti e inconformado, Pelo pudor da família E bons costumes! Vez que outra algum resmungo Pipocava o teto a bala ... Uma frenética disputa por freguês Creditava todo o amor pro fim do mês Quando as guaiacas iam rechear-se em novos "pilas". Uma conta corrente no caderno Com um débito pra saldar no fim do inverno Quando abrirem-se as tesouras das esquilas! ... e a passeata de preto ganhou formas Recrutando mais bíblias e guerreiros! À frente um general - Cruz e batina, levando um exército de beatas Pra combater, na guerra santa da decência, Meia dúzia de Marias Madalenas! Juntaram os trastes ... Esvaziaram os quartos ... E a tentativa simbólica de família Desmoronou os sonhos que queriam lares ... Uns chamavam de tasca, outros de zona E batizaram com o nome de sua dona Que, dizem, nem mulher da vida era, Mas que o pudor e o poder da "santidade" A expulsou, com o chinaredo, pra cidade E decretou que a casa era tapera! Elas foram se bandeando Uma a uma... Levando os corpos e os planos Empoeirados de lágrimas e estradas Pra outra vida nova em outro fim de mundo!