ânsias libertas
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I
Escancarei porteiras da minha alma Pra libertar alguns potros do passado “Recuerdos” e cambixos extraviados Que se afloraram de noitadas calmas
E se vieram, novamente, bater palmas, Uns antigos fantasmas depravados, Personagens dos medos encantados Que me legaram todos os meus traumas!
Então deixei cruzar - que vão-se ao léu! Pois já não me basta conseguir o céu Sem sapecar meus espíritos no inferno!
Que se rompam bretes e alambrados! Pois mais “me gusta” o vício e o pecado Que morrer vazio pra me tornar eterno!
II
Vou despojar de mim todo o meu grito E despejar do fundo da alma os eremitas, Pois não mais quero me tornar proscrito Dessas utopias insólitas e infinitas!
Só eu devo lapidar minhas pepitas E proteger meu ouro favorito! Não me basta construir mesquitas Se todo o meu tijolo for gratuito!
Cabe a eu edificar todos os meus temas E compor ou expressar apenas O que de belo em mim ainda existe!
Vou refazer antigos teoremas, Colocar mais sorriso nos poemas, Embora escritos com palavras tristes!
III
Quero mergulhar nos meus oceanos E sugar o lodo dessa água escura, Extinguir do tempo inertes anos E abandonar meus itens de procura.
Que importa o rito: Se pagão... Profano... Pra eu recriar minha própria criatura? O que interessa é que no abrir dos panos, Eu não me afunde mais na sepultura!
E nem quero mais parecer tão dócil Quando as larvas me roerem o fóssil Por eu parecer humilde e decomposto!
Danem-se as leis e instituições malevas, Se eu puder expressar, nas trevas, Um sorriso sarcástico em meu rosto!
IV
Não quero sofrer outros flagelos, Nem beliscar as cascas das feridas, Pois vou construir outros castelos Nos patamares de escadas destruídas!
Hei de serrar o aço dos meus elos Sem lágrimas quaisquer de despedida, E extinguir intimidades... Paralelos Que me façam lembrar da antiga vida!
Ao implodir as pedras dos escombros Vou tirar o peso dos meus ombros E arrancar os cravos dessa cruz!
Pois quem foi ao poço mais profundo Consegue vivenciar e enxergar o mundo Por uma réstia minúscula de luz!