Os Potros e o Vento
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Estâncias de nuvens vagando no céu. No pampa silhuetas de potros Que pecham no vento, que sopra na noite Dos meus ancestrais. E eu a pensar...
Eu que me busco no ontem dos tempos, querendo razões para ser o que sou, procurando clarões que me mostram caminhos, me indiquem estradas que devo trilhar.
E o grito das gentes reboa nos campos, nas matas, nos mares e se confunde ao aço tinindo no choque de espadas; machado no angico, enxada na terra e espora nos potros que pecham no vento, que sopra na noite dos meus ancestrais. E eu a pensar...
Eu me vejo chegando e partindo ao lado dos homens de longos cabelos, com barbas de luto, com vinchas molhadas do suor das tropeadas que nunca têm fim.
E os lenços vermelhos, que às vezes são brancos, se agitam no tronco das lanças, que rasgam caminhos no meio da noite dos meus ancestrais.
E eu a pensar...nas negras melenas do homem que foi e, que, um dia, mais brancas que a lã dos merinos se chegam a mim.
Baú de memórias, de tempo e de infâncias que as silhuetas dos potros trouxeram da noite dos meus ancestrais, me fazendo pensar...