Antenor de Vida e Sonho
Publicado em
Antenor fechou os olhos de ver o que ninguém via... Muita coisa lhe doía feito pedra no sapato... Antenor nasceu no mato. Nunca atirou uma pedra. Jamais feriu a palavra... A terra que ele plantava tinha cheiro de esperança. Não veio pra dar conselhos. Não sabia domar patas... Jamais jogara das cartas que rotularam campeões... Antenor, um homem puro que não comprava fiado, pagou o preço dobrado por ser humilde demais. Antenor simples, rapaz... Fechou os olhos de outono no ranchinho encabulado. A Carolina, ao seu lado, na moldura da parede... Carolina, flor do campo! Carolina em seus encantos cobriu a boca da fome enquanto o braço do homem cansava junto da enxada. Antenor não foi herói. Antenor não foi campeão. Antenor, sem intenção, foi somente um sonhador. Plantou e colheu da terra... Nunca vendeu sementes. Não deu co'a língua nos dentes quando o compadre pecou. Antenor nunca julgou! Antenor nunca foi santo. Trazia junto aos remendos um patuá e um juramento: Honrar o nome do pai! Quando chegou sua hora, Antenor não viu mais nada... Deixou a terra lavrada num tempo duro de frio... Antenor foi só um sonho. Antenor nunca existiu!