Caiu os Butiá do Bolso
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Francisco entrou na cozinha Esparramando os butiá Que lhe caiam do bolso. Um pé, ainda, nas botas... O outro, campeando chinela... Não percebeu, na janela, O vulto do tempo feio... Era o dono do arvoredo! De cara mal desenhada, Dava mais pena que medo!
“Me adescurpe siá Tininha, Mas é caso necessário. Esse guri é uma afronta E eu já tô muito furioso!” O Turíbio se cuspia, Se engasgava, tossia E continuava falando: “O causo tá compricado! Se o guri não tomá jeito Eu vô chamá o delegado!”
Tininha, muito jeitosa, Acalmou o seu Turíbio Que voltou no mesmo rastro. A prosa, agora, era outra! O Franscisco era teimoso. Um guri, já quase moço Para apanhar dessa forma, Cuma vara de marmelo... Mas não iria escapar Do peso do seu chinelo!
Quando a mãe se foi morar Na estância grande do céu, Deixou o pequeno Chico Aos cuidados da irmã... Ela cortava um dobrado Com o guri, malcriado, Que aprontava todo dia. Era uma praga o rapaz! Coitado do seu Turibio! Não sei quem sofria mais!
Franscisco saiu correndo, Atravessou a porteira Ligeiro, feito um corisco,
Sem nunca olhar pra trás. Se foi pro rumo do mato, Fugindo igual um gato Que sabe bem do perigo. Era o tal “Capão da Benta”! Foi aí que se deu conta Do tamanho dessa encrenca.
Todo mundo conhecia A história daquela moça Que ficou desesperada Quando o noivo foi embora. Arrinconada no capão, Com uma corda na mão, E armada pronta pro laço, Arrastando o seu vestido Corre na noite escura Pra pealar um marido.
“Até pode ser mentira, Causos que o povo inventa Para assustar as crianças...” Franscisco respirou fundo Fazendo o sinal da cruz, Com a benção de Jesus, Rezou quatro padre-nossos. Oigalê vida mesquinha! Preferiu ver o fantasma Do que apanhar da Tininha!