Alma em Verso
Poesia

8. Sonata Para Uma Flor

Juliano Santos

II Sinos do Verso GaúchoPublicado em

Lindo dia, no hemisfério desta pampa, onde na estrada eu cruzava a lo largo, quando avistei linda flor , a fina estampa, a mais bela rosa a enfeitar este meu pago.

Um botão florescendo mansamente, que a cada dia florescia um pouco mais, a flor então tomou forma imponente... e destacou-se dentre outras, tão iguais.

Menina rosa, foi à flor da minha infância, flor menina florescendo a esperança na vida de que um dia me sorriu.

O botão é a nossa própria infância, pequeninos sonhos e medos, a compor nosso destino, feito a sanga que mais tarde vira um rio. ----------------------------- A flor cresceu perfumando o seu mundo, enfeitando este tempo que era seu foi assim, emoldurando cada segundo, que a rosa deste campo floresceu!

Um lindo quadro se formou na pampa nua, rosa flor na campanha amanhecida, tinha um brilho feiticeiro como a lua na rosa moça que mostrava-se florida

Me vi jovem, na mesma flor desabrochada, na juventude que invadiu minha morada moça de corpo e de alma tão fugaz.

Me fiz mulher, descobrindo minha vida descobri em mim, uma força descabida no meu instinto de buscar amor e paz.

Amarelou a flor que um dia foi tão bela, e cabisbaixa, não olhou mais para a vida, hoje murcha, segue junto a cancela em seu mundo onde o sonho fez guarida.

E caíram pétalas bem junto ao seu caminho e o vermelho desta cor já se desfez restaram apenas no caule, os seus espinhos fiéis guerreiros a defende-la outra fez.

Se ela murchou, não foi por desgosto é como as rugas que trago em meu rosto cicatrizes de vida que um dia passou

A velhice, que é algo tão natural invade a face de quem se acha imortal são marcas na pele, que tempo deixou . ----------------------------------- Me vi, envelhecida, marcada de tempo.... na flor que agora parece morrer. Porém, bastou um suspiro de vento para ver que o velho, voltasse a viver

A idade mais bela, o fruto maduro de quem um dia já foi pó e semente hoje garante o nosso futuro deixando no rastro o seu descendente

Rosa pampeana, que o tempo pealou cumpriu a sina que Deus lhe deixou ficando guardada no jardim da história

Te vi pequenina florindo em botão trazendo mais vida a este rincão guardada pra sempre em nossa memória

É o um ciclo da vida que se renova um quarto de lua, radiante no céu depois da cheia, vem a lua nova tão alva , tão branca, feições de papel

Quem vê a vida além do horizonte sabe que a flor murchou por madura é feito a velhice que vem num reponte e sempre nos leva para estrada segura

Somos as flores do um imenso jardim nele traçamos o nosso início e o fim ou quem sabe ainda, um recomeço?

A flor da vida é luz dentro da alma que no silêncio chega e nos acalma neste mundo que parece estar do avesso.