A Volta do Anjo Guerreiro
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Eu renasci dos escombros Das lutas tribais, em guerra, Para semear na terra Essências embalsamadas E procurar uns olhos meigos No lume das madrugadas Rasgando ausências no peito No frio punhal das estradas
Voltei nas asas do vento Fui poeira e solidão Busquei nas rimas do verso Alento pra o coração Nasci das brumas da noite Cavalguei raios da lua E para de novo ser sua Voltei, e me fiz canção
Vim resgatar a ternura De um guerreiro coração Que lá no longe dos tempos Numa história secular Partiu levando a bravura A altivez de um gigante Num sonho de liberdade De irmanar na igualdade Guerreiros, índios e brancos
Fiquei num rancho pequeno Na pura crença do amor Busquei razão pra viver Juntando cacos da vida Despedaçada, partida Num infinito querer Teci um manto bordado Com restos de primavera E fiz de buscas e esperas A minha razão de ser
Motivos tantos de afetos Renascendo a cada dia Tirando força e alento Do mais puro sentimento Que ao próprio ser transcendia Sublimação... harmonia Espargindo-se com calma Fez-se fragrâncias na alma No coração por inteiro Guardei com fibra e coragem Esse amor como homenagem Para o meu anjo guerreiro
Recompus toda a paisagem Nessa busca ensandecida De tantas e tantas vidas Sangrei minha dor, calada E minha fé fortalecia Em cada dobra do dia Em cada gota de pranto Que disfarçava e sumia Junto à canção das aguadas Onde nossa despedida Fez calar a natureza Num repente, enternecida Por nossas almas partidas No seio da madrugada
Meu olhar ficou perdido No largo dos horizontes No claro espelho das fontes Buscava o rosto querido Que há muito havia partido Prometendo regressar E a indiazita pequena Misto mulher-criança Viu fenecer esperanças Mas não cansou de lutar E uma cálida tristeza Banhava o rosto moreno Como gotas de sereno Que a noite deixa rolar
Mas com a volta do guerreiro A dor se redimiria Lindos sonhos voltariam Como dádivas do céu Meu olhar nos olhos seus No aconchego do ninho Com inocência e carinho Para ofertar-lhe guardei Das flores roubei perfumes E implorei aos vaga-lumes Acenderem seus luzeiros Para meu anjo guerreiro Encontrar logo o caminho
A trilha alva de flores Que cultivei nessa espera Pra não tornar-se tapera Nosso cantinho de amor Ao chegar ele de mansinho Terá consolo e carinho Nesse amor multiplicado Como presente de Deus E meu ser apaixonado Será por fim embalado Na paz dos abraços seus.