Campos da Saudade
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Ah! Que saudade do céu da minha terra, De molhar os pés nos campos orvalhados, Beijar o entardecer afogueado. Ver o arco-íris se deitar na sanga Sentir no céu da boca o gosto da pitanga, E o minuano a soprar gelado.
Ver a lua cavalgando os campos, O acende e apaga, lá dos pirilampos, A estrela Dalva a se espalhar nas águas, Então o pranto vem lavar as máguas. Com o amargo gosto da saudade, No imaginário flete da felicidade Vou buscar o campo que ficou pra trás, No aconchego de uma casa antiga, Um fogo de chão, a velha cantiga, Que me falava de amor e paz.
A velha pitangueira, onde eu brincava, O quero-quero gritando na distância. A brisa mansa a soprar fragrância, Forma dueto, com o sabiá cantor. E tudo pra mim vem falar de amor, No cenário simples da minha querência.
Lá no galpão onde eu nasci, Todo bordado de poeira e picumã, Onde eu acordava de manhã, Com mil pássaros a cantar pra mim, Por isso essa saudade não tem fim Chega sempre quando rompe a aurora, Daqui do peito não quer ir embora Por causa dela eu vou cantando assim.
Só quem, como eu, abraçou o sol poente, Sorvendo a água cristalina lá da fonte E aprendeu a poetar com a natureza, Se encontrou, com a sublime singeleza, Das flores que florescem campo á fora. Certamente, trará no coração, agora, Um mundo de ternura e de nobreza.
Só, quem como eu, vibra de amor pela querência, Cultiva, a tradição em sua essência, Poderá sentir, o que eu sinto. E compreender Porque longe do meu sul não sei viver, Os seus recantos, suas lendas, seus encantos, Fazem parte do lirismo do meu canto, E levarei dentro de mim, quando morrer.
Quem pisou, com amor, aterra quente, Verá o amor brotar, como vertentes, Cada vez maior dentro de si, É por isso que estou aqui, Cantando o meu cão, aos quatro ventos, A força xucra desse sentimento, Pelo Rio Grande amado onde eu nasci.
Quem como eu, se derramou pelas cascatas, Sentindo o cheiro acre-doce lá da mata, Viveu a infância com toda a intensidade. Sentiu no peito o sabor da liberdade, Ao se banhar de luar pelas Campinas, Dentro de si, terá sempre uma menina, A correr pelos campos da saudade.