Alma em Verso
Poesia

ESTRANHO VÍCIO DE AMOR

Jurema Chaves

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Numa manhã azulada Com melodias no ar, O meu olhar ofuscava Uma lagrima teimosa! Um não-sei-quê de tristeza Chorava dentro de mim Como uma nota perdida De uma esquecida canção Num pentagrama de areia, Em partituras que os anjos Escrevem o alvorecer.

Tornei-me cativo de um amor imenso Que penso ser interminável Puramente eterno, indelével em mim! Já perdi a conta, desse amor infindo E nesse faz-de-conta vou me consumindo... Quando sorrindo, teu olhar me chama Reavivando as chamas de uma paixão louca, Adoçando a boca nos meus devaneios, Na sensata loucura de quem ama!

Foi o teu olhar que mudou meu mundo Repentinamente, inconseqüentemente Como um vendaval... Feito um potro xucro corcoveando Mudando rumos , que tentei seguir. Meu pobre coração em desatino, Como um barquinho perdido Solto na fúria do mar, Sem SOS, sem nada. Sem um porto pra ancorar!

Que amor tão louco, que me mata aos poucos, Estranho delírio que o dia carrega, E a noite me entrega.,pra ser devaneios. A tua imagem me chega de mansinho. Rouba meu carinho, dorme em meus abraços Me parte em pedaços, e segue sorrindo na luz da alvorada!

Tudo em ti é encantamento! Como a primavera repintando o chão, A espargir perfumes com leveza e graça, Que me despedaça, e depois me abraça Sem dizer por quê!

Que feitiço é esse, Que me deixa assim? Sorvendo distâncias, incontidas ânsias, Que me invadem o ser...

Mas num repente acordo e prossigo Falando comigo, dizendo pra ti, Que a refulgência acesa dos teus olhos Vai iluminando minha estrada pedregosa, Amargando ausências do que nunca tive, Que sobrevive melodiando prosas. Carrego minha cruz, a devanear... Que julgo deslizar, pisando em rosas!

E uma translúcida imagem se recria Emoldurando a solidão que tu abitas, Nas lembranças efêmeras da aurora, Quando chora a noite, serenosa Pincelando meus cinzéis de dor! Nos caminhos inconclusos vou seguindo, A chorar sorrindo melodiando o vento, Abraçando o tempo, que não deu-me tempo De ver o teu olhar, me dizer de amor!

Ah! Se eu pudesse embarcar num verso E não ter limites entre céu e mar! Encontrar-te linda na mesma varanda A esperar por mim... Vestir-me de aurora, ressurgir de ti... Resgatar o tempo; não ceder um tento Para a solidão... Matear a doçura das prosas de amor Num lindo sol-pôr, nas horas de ocaso, Juntar nossas mãos na Ave-Maria, Na prece divina pedir por nós dois!

Ouvir tua voz, com afagos ternos... Numa longa espera que chegou ao fim! Mas tudo é tão complexo... Não encontro nexo Por amar-te assim com tanta paixão! Cumprirei a pena, se o amor condena, Vou fazer o quê?! Pagarei com juros e sem sacrifício, Esse, estranho vicio de amar você!