Rastros e Sonhos
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A uma quietude de espera No escondido do pranto, Que se arranchou nos recantos De cada canto de mim, Como a esperar o regresso Do mais terno dos sorrisos O madrigal mais bonito Que a natureza escreveu, Tocar o céu com meus dedos A desvendar mil segredos No doce do beijo teu!
Ter a ternura contida No verde do teu olhar, Ter o altar do teu ombro Juntar migalhas, escombros De sonhos despetalados Me perder nos alambrados Desse teu jeito de amar, Ver o sereno chorar Como oração do infinito Ver nosso rancho bonito Florindo ao te ver voltar!
Venha acordar o silencio De horas mortas, vazias Venhas bordar fantasias No sonho á tanto esperado Que perdeu-se desgarrado Do teu mundo de alegria, E espera findar o dia Para fitar as estrelas Na esperança de vê-las Te repontando pra mim.
Quando a espora da saudade Sangrar teu peito com ânsias, Virás, bebendo distâncias Nas asas do vento sul. Como um colibri azul Que sempre volta ao jardim Tu, voltarás para mim Quando setembro chegar, Com o mesmo jeito de outrora Os lábios rubros de aurora Nos olhos, gotas de mar!
Quando lá fora o soluço Do vento cortar o espaço No poncho do teu abraço Quero a saudade calada, No ventre da madrugada Que se desfaça, jamais! Não chores, não digas nada Cale num beijo a tua voz Deixe o encanto, a magia Em suave melodia Fazer poemas pra nós.
Porque será que as lembranças Não calam, não emudecem Porque não desaparecem Por entre a cruz do caminho E a flor nascida ao acaso, Nos rastros que se perderam Enclausurando mistérios No sem fim dos corredores.
Na cicatriz das estradas Busco imagens repetidas Amalgamando as partidas De quando ontem se fez, Quem sabe um dia, talvez Retornes rumo do pago Em busca do mesmo afago Que a tua ausência calou, Quem sabe a brisa da noite Serena beijando luas Bata na porta do rancho Trazendo noticias tuas.
A voz do tempo sussurra Espargindo em minha alma Ternuras adormecidas Como pétalas caídas Desfalecidas, sem cor Em esperas prenhes de agonia Na ilusão que retornes um dia, Pra o nosso mate de amor!