Alma em Verso
Poesia

Largando as Tropas – Carlos Vivian

Carlos Magnus da Rosa Vivian

I Festival Virtual Albeni do CarmoPublicado em

Aguarde minha Chinoca! Aguarde que estou chegando, só de lembrar teu sorriso as esporas tão retouçando. Ajeite os piás para o sono, deixe a porta sem tramela, que esta lua, tão bela, vai me mostrando o caminho. Chegarei, bem de mansinho, antes do galo cantar. Por dois dias vou folgar pra desfrutar teus carinhos.

Deixe o fogo ajeitado pro mate da madrugada. Após matar a saudade dá uma sede danada! Quero falar co’patrão pra me ajustar de posteiro, sei que é menos dinheiro, mas a vida é mais tranquila, pra isso guardei uns pilas que dá pro nosso sustento e garante, no momento, de não mudarmos pra vila.

Chinoca fico a pensar o quanto espera um retorno, eu também fico nervoso, chegando a perder o sono. Ronda a ronda, dia a dia, é teu o meu pensamento. Ontem fiz um juramento pro Negro do Pastoreio, que até mesmo os arreios, for preciso eu negocio, pra ficar perto dos filhos e aliviar os teus anseios.

Quero tropear novos rumos, semear seara noviça, amansar para os guris um petiço e uma petiça. Lá da sombra da figueira ficar contigo bombeando os dois da escola voltando com as lições por fazer, hão de logo aprender que este tempo é um tempo novo e que todo o nosso povo quer qualidade em viver!

Chinoca imagino a cena deles cruzando a porteira, o Mariano mui pachola e a Bibiana mui faceira, numa carreira parelha em direção ao futuro. Este tempo prematuro, sem freio pra segurar, é a razão do meu cantar, largar a tropa de vez, que a distância de vocês tropa alguma irá pagar!

Aguarde minha Chinoca, Aguarde. Que estou chegando!