Ofício de Mulher
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Sobre a luz das lamparinas, a cama rude no galpão. Sobre o calor de algum fogão, na maior simplicidade, os pelêgos foram maternidade. Sem dor, e sem cirurgia, o ventre da mãe, se rompia, num ato de liberdade...
Depois que a criança nascia, não tinha nem um perigo. Quando cortavam o umbigo, rompia a única raiz. A mãe gemia feliz, a parteira usava a tesoura, como se fosse doutora, pra deixar uma cicatriz...
Logo se ouvia os choros, mais um vivente nascia. A vizinhança toda corria, uma cegonha tinha chegado. O pai ficava meio assustado, e sem poder ajudar, no galpão ficava a pensar: o nome, padrinho e batizado.
Primor ofício dos campeiros, que trouxe muitos ao mundo. A profissão do amor profundo, veio o peão, patrão e doutor, na pujança do criador. Todos da mesma maneira, puxados pelas mãos da parteira, a mãe velha, num ofício de amor!...
(Poema dedicado a memória da minha madrinha e parteira “Noca”)