Alma em Verso
Poesia

Dos Olhos pra Dentro

Loresoni Barbosa

I Garimpo da Poesia Gaú cha (Virtual) - S. J osé do OuroPublicado em

Hoje; meus olhos do avesso Lavaram a alma e silêncio, Molharam lembranças boas Choveram mesmo! Pra dentro. Procurei então alento Nas asas da liberdade, Mas vi que a dor é covarde, Arranca penas do peito.

Desentalei arreios E encilhei a saudade, Para buscar o sentido Do que sou de onde venho Pois no sul do continente Onde o vento esbarra forte Estraviei minha sorte - Virei da cana o engenho –

Amores trago no peito, Astúcias trago na mala, Se o coração atropela A experiência é quem fala. Meu ontem foi nostalgia, Mas meu presente é perdão, Meu peito é feito oratório, Meu verso; inverso, pagão.

Como esquecer o passado Que austero me bate a porta, Se a saudade não suporta, A ausência que vive em mim?.. Como aceitar o passado Se o olhar madrugueiro, Procura um par por parceiro Pra ser dos sonhos o fim?

Assim me vejo por dentro Atrás do que tanto quis, Meio louco, meio santo, Meio flor, meio raiz. Milongueando noite à dentro Pajeando a lua prateada, O louco canta pra amada... O santo pra meretriz.

O tempo encurtou distâncias Trouxe “recuerdos buenos” De um tempo que já não tenho Por ter usado na infância. Brinquei com “gado de osso”, Ergui mangueiras, bretes, “Escramuçei” belos fletes Nos pagos da minha estância.

Sei bem; eram de taquara Os malinos desse tempo Bem domados, “crina” ao vento, Orgulhos pra um domador. Hoje; é a vida que atropela Esse meu sonho maior, Gastar mais um calendário, Fazer mais versos de amor.

Pois quando volto a tapera Divagando meus lamentos, Sinto a quentura do vento Se refrescar na figueira. -Meu nome junto do dela- Prova de amor inocente, Que me inquieta o semblante Se lembro as tardes com ela.

Agora; com ternura nas palavras O tempo ancião me diz; -A vida sempre dispara De quem por muito lhe quis! – Mesmo assim, lhe sou grato Pelo perfume de flor; Da prenda linda que habita As noites de um sonhador.

Bebo aos tragos a noite Masco o dia com calma, Pois a lembrança da amada Me alimenta e embriaga. Nas tardes largas do tempo Sigo mirando a cancela, Vejo seus olhos mais verdes E arco-íris na janela.

Buscando mais algum tempo Pro sonho enfim ser feliz, Não me encolho pra domas Nem pra um amor aprendiz. Escondo paixões e medos Sob a copa do chapéu, Querência dos meus segredos Divisa de campo e céu

Enfim; a vida dispara Fatal algoz dos finais, Vejo meus sonhos distantes, Amores tão desiguais! Vejo a luz do meu futuro Sombreando a dor da saudade E essa lembrança covarde Que não me esquece jamais.