Sonho Povoeiro
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Longito... Cruzando por um atalho, no descambar da coxilha de um campo de cima da serra, vinha o velhito cansado de mais uma viagem ao povo...
Caminho... onde miles desgraçados, despilchados sem patrões buscavam ao longe o povo arrastando precisões, no passo lerdo dos potros, num rumo, que foram outros...
por ali o velho ia, por ali o velho voltava...
E o piazito em desparada em seu flete de taquara, deu um alce a meia rédea para encontrar o velhito com um sorriso na cara, depois, a passos ligeiros dentro da calçota curta, vinha com os olhos compridos para o semblante do pai...
Quanta ilusão se passava pela cabeça do piá... ameaçava interrogar, em seguida se calava... não sebia perguntar nem tão pouco formular a pergunta singular de, como era a tal cidade? Se era um lugar bonito como ele imaginava, porque aquele velhito sempre ia mas voltava?
Ele, piazito da campo, num tempo em que a infância lhe dava por faz de conta uma ilusão repartida...
Por um lado, largos campos, por onde o piazote moço ansiava por aventura, pealava gado de osso refugador de mangueira, numa estância em miniatura á sombra das laranjeiras... Por outro lado, as estradas... nos brinquedos faz de conta as marcas da evolução, arrastando pelo chão sua “jamanta” de madeira, transportava ingenuidades construindo uma cidade a sombra das laranjeiras...
todo o sonho é Bueno, mas nem sempre a realidade...
Um instinto de mudança brotava nas gerações, pois, num piazito crioulo meio guacho pelo pago nascia um sonho povoeiro... Na verdade era ilusão... A ilusão do modernismo com sabor de jeito novo, gosto e cheiro de povo... E tudo o que o pai trazia ao retornar da cidade tinha um cheiro diferente, um cheiro de novidade... era um cheiro artificial conquistando a humanidade... era um cheiro diferente do cheiro de campo e de boi, de trevais e maçanilha, naquela estância ausente onde vivia contente tão feliz e não sabia.
Mas e esse tal de povo? Se era um lugar bonito como ele imaginava, porque aquele velhito sempre ia mas voltava?
Monotonia perfeita para um ingêuo sonhar. Pois, todo sonho é Bueno, mas nem sempre a realidade...
Setinha os campos, um pago, uma pureza no olhar, se tinha potros fogosos, o catre, a seta, o charque, e nos alolargos do pago sem precisar aramado razões pra felicidade...
mas o tal de modernismo sempre ilude um cristão jogamos fora um mundo só pra seguir a intuição...
O piazote foi crescendo pedindo uma explicação. Mas e esse tal povo? Se era um lugar bonito como ele imaginava porque aquele velhito sempre ia mas voltava?
...um dia o piá ficou moço... Longito... Por aquele mesmo caminho, por onde o velho ia e por onde o velho voltava, naquela mesma coxilha de um campo em cima da serra o moço se foi, descambou... abandonou a querência e o pago onde se criou, foi conhecer a cidade que sesde guri sonhou... ...perdeu a felicidade, mas nunca mais retornou...