Velha estancia Moderna
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Um clarão... arregaçou as pupilas de quem fazia retorno, rasteando o vestígio amargo por onde um dia se foi campeando sonhos de moço...
Era ali...
Com olhar incrédulo e imenso numa frustrada saudade, soletrou os desenganos no portal de letras grandes sobre a antiga porteira, um misto de, luxo querenciano e simplicidade povoeira, onde o progresso voraz arquitetou nova estampa num atavismo fugaz...
...restava o nome avoengo entre lajes de concreto; num apogeu modernista engenhado pelos netos...
...nos campos de gado e vento plantaram cercas elétricas, as antigas de aboio perderam toadas e métricas... Pajonais foram sugados pelos canais drenadores, e o terrunho ficou surdo nos decibéis dos motores... ...a estância virou cabanha ou fabriqueta de cria, calou-se o berro do touro com minguada serventia... tudo foi remodelado por rabiscos de doutores, e há réstias de grandes lumes no ronco dos geradores.
Entre as marcas centenárias da mangueira e do galpão levantaram alicerces de uma luxuosa mansão... a mais perfeita vitrine do perfil aristocrata, onde um gaúcho mateia refugiado na gravata...
...foram, moldando a querência com artefatos grã-fino, o artificial iludiu com recatos citadinos... Hoje, o micro reproduz até o relincho dos fletes, numa cópia da estância inserida nos disquetes...
Estância? È chamada de estância mas não é a velha estância! Aqui, até peão mudou a postura, o espelho do açude reflete um gaúcho rude de celular na cintura...
Há gemidos de ancestrais brotando na argamassa, sufocando suas raízes e a identidade da raça...
Se, o patriarca terrunho um dia também voltasse, seria um vago estranho na querência que plantou. Gritaria um “Ô de casa” no portal de letras grandes e, indagaria com ânsia! Pelo atalho mais curto no rumo da velha estância!