Alma em Verso
Poesia

Teatro Vazio

Luiz Menezes

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O velho Palhaço Chegou frente ao teatro De fachada triste, E olhou cismarento Buscando lembranças Perdidas no tempo...

Nas paredes frias, Figuras e nomes De atores famosos Estavam expostos À fúria dos anos.

E foi temeroso Que o velho Palhaço Entrou lentamente Pisando com jeito No assoalho quebrado, Tateando às escuras Por entre as cadeiras Que ficam mais tristes No mundo sem vozes De um teatro vazio.

Parou de repente; Ouvia silêncio Silêncio...Silêncio Que tanto queria. Emoção. Quis fugir Quis chorar, quis sorrir, Mas aquele silêncio Do teatro vazio O induzia a ficar.

Ali estava o palco: Um palco sem luzes Um palco sem vida Um palco vazio... Nem mesmo um cenário Restava de tantos Que fizeram glórias Em noites de estréias.

Não há pra o artista Mais nada tão triste, Que toda a tristeza De um teatro vazio. ------------------------ E o velho Palhaço Sorriu pra tristeza, Zombou da tristeza Cantou pra tristeza, Fez coisas que nunca Pudera fazer... Seus olhos abertos - beirando à loucura - estavam felizes porque finalmente a glória chegara:

Seu canto, seu riso a alma do artista, era ouvida e sentida em silêncio total!