Mangueira Assombrada
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Velha mangueira crioula De pedra moura amontoada, Tu, cerca abagualada, É marco da história viva, Trabalho da mão cativa! Imponente fortaleza! Testemunha da vileza Da nossa lei primitiva.
Plantada à copa de um cerro, Formando argola d’um laço, Guardas contigo um pedaço Do Rio Grande primitivo! Parece um triste castigo, Rezando dentro da noite E gemendo a dor do açoite Do beleguim agressivo!
Quando a lua se adelgaça, Ressurge o terror do assombro, Adejando pelo escombro Da velha cerca de pedra! É o negrinho que medra Sobre o palanque fincado. Vagueia desorientado, Picando um naco de fumo, Por já ter perdido o rumo Do lugar onde foi criado!
O pobre duende sofrido, Que na coxilha aparece, É o piá que não esquece Da injustiça cometida. Trabalhou e deu a vida Pelo |Pampa Riograndense. E tudo que lhe pertence Naquele cerro se aquieta. Ressurgecomo profeta, Rememorando a tragédia, Galopando a toda rédea À inspiração do poeta!