Alma em Verso
Poesia

A Paz das Praças

Marcelo d’Ávila

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Eu quero a paz das praças das pequenas cidades do interior:

o silêncio dos bancos de concreto quando a algazarra dos pombos busca descanso nos telhados dos sobrados; a expressão grave e paternal na face em bronze de um anônimo local; eu quero a ancestral sabedoria do majestoso relógio do obelisco que prende o tempo em seus plégicos ponteiros e a serena harmonia dos canteiros assistindo ao balé do beija-flor.

Eu quero a paz das praças das pequenas cidades do interior.

a sombra dos ipês amarelados desenhando mosaicos sobre as pedras da alameda e suas flores que desabam no coreto construindo um telhado em pura seda; eu quero a paciência dos velhinhos em sua épica batalha ao tabuleiro e o canto de algum cardeal violeiro imitando uma milonga em mi menor.

Eu quero a paz da praças das pequenas cidades do interior.

a quietude respeitosa da igreja que medita do outro lado da rua; e, à noite, a paixão de um cusco vago declamando, em uivos, versos para a lua; eu quero o alegre despertar com a melodia dos sabiás da laranjeira quando o dia se anuncia nas janelas; e as cores da manhã em aquarela revelando a poesia em esplendor.

Eu quero a paz das praças das pequenas cidades do interior.

Crédito da fonte: Marcelo D'Ávila