Romance do Ervateiro
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Nunca aguentara um corcovo Nem jardeio em cancha reta. Mas tem uma história repleta De um ofício diferente! e eu me plancho reverente Ao contemplar o teu vulto: Analfabeto e oculto A margem de tanta gente.
Primeiras geadas de maio Te retratam despilchado Pé no chão e remendado, Para o combate inicial! E a verde sombra do erval Se perfila em saudação... No início da evolução Do mate tradicional!!
Devagar, subindo as grimpas, Camuflado na folhagem... Vais modelando a paisagem Dos “talos brancos” copados. Facão grande, mui chairado Que manejas com destreza Sem se importar com a tristeza De mais um tronco tosado.
Um a um vão se quedando Até formar-se a arroiada... E depois dela formada Vem a vez do parapeito; Lenha grossa e muito jeito Para um sapeco de ciência, Pois aí só a experiência Deixa a erva sem defeito!
E quando ouço ervateiro O pipocar da sapeca, Meu peito selva à breca Procurando um lenitivo... Pois o teu porte nativo É a raça que perpetuas Guaranis, Tapes, Charruas Do Rio Grande primitivo!
Depois da quebra - o raído Atado em taquara mansa. De quando em vez na balança O velho facão erveiro, Por campeador vem primeiro Defendendo o pão sagrado... Benzendo em riscos cruzados Na “mão leve” do empreiteiro!
Xô-égua! Quando me lembro Que fui erveiro também, Minha emoção se sustém Na tradição que preserva! E ao olhar pra um pé de erva Vou campereando a distância... Saudosos anos da infância Que em minha alma se conserva!! E quando trago nas ventas Este aroma da erva boa Sinto no peito a garoa De muito inverno gelado; Ouço o chote resmungado Da oito-baixos manheira, Tendo o oitão da cancheadeira Como sombras do passado!!
O amargo que agora tomo Me aquenta o peito oprimido Por esse ar poluído Do ajoujado da cidade! Clamarei por liberdade Quando findar os meus anos, Pedindo ao Pai Soberano: Um erval na Eternidade!!