Reminiscencias
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Nasci num rancho bem pobre Mas, num distinto rigor. Meu pai, monarca senhor; Minha mãe, senhora do rancho Onde inda hoje me acancho, Pra causos de valentia Que na infância eu fazia, Diabruras, de carancho.
Bem perto do alambrado, Do lado, junto à restinga, Para lavar a tristeza. Mas, nunca faltou sobre a mesa, Cada coisa por sua vez, A água bem fresca e o pão quente Que a mãe fazia pra gente, No forno que o pai lhe fez.
No más, um carvão era lápis E uma tarca o meu caderno. No galpão, nas tardes de inverno, (isso, quando em domingo chovia), era ali, donde me escondia pra fazer a bruxa de pano com quem brinquei, ano por ano e sempre que o conseguia.
A minha bruxa de pano, Ah!... como me entendia. Sorria, quando eu sorria, Chorava quando eu chorava, E somente se aquietava Depois, com meu acalanto, Aí, estancava o seu pranto E a minha bruxa ninava.
Partes lindas da infância, que tantos não dão valor. Que se foi num corredor pela distância, sumida, Que pra traz quedou perdida, por causa da correria Que a gente sempre empreendia, com os tropeços da vida. Tudo isso passou no tempo, mas deixou a sua marca. Nunca mais vi minha tarca. Extraviou-se o meu carvão, Caiu por terra, no chão. E a minha bruxa de pano, coitada!... Quedou triste, abandonada, lá no baú do galpão.
E aí, num repente A gente sente que já cresceu. E as vezes, nem entendeu Por que, tudo transformou. E, eu me pergunto: -O que sou?... Sou criança, novamente! E o passado no presente. Uma ilusão, simplesmente, Que hoje a vida me presenteou!