Alma em Verso
Poesia

Saudade

Maria Pampin

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Desse meu tempo de antanho Que se foi como a água da sanga A saudade se arremanga E vai doendo no peito Corroendo o coração Com jeito bem igual ao do cupim Que leva o cerno até o fim Deixando o lenho desfeito.

La fresca !... Como foi triste A gente se quis desde a infância, Dois piás da mesma estância Olhando a mesma tropilha; A aprender como se encilha; Como ser marca e se doma, O mesmo rumo se toma, Seguindo na mesma trilha.

E, nomás, sem nos dar conta, É o tempo que foi contando E pouco e pouco revelando Nosso inocente segredo. Só de pensar eu tinha medo Que se acabasse essa infância Que nos separe-se a distância Quebrando nosso brinquedo.

La fresca !... Com foi triste Esse guascaço dos anos Veio o tropel dos desenganos E tu te foste a "lo léu" Sem alarde ou escarcéu Ao tranco, sem despedida, Foste brincar na outra vida Na Estância Grande do Céu.

Só restou daquela estância O regalo que ao fim me deste: Uma pequena flor silvestre Que eu nem sequer sei o nome Enquanto o tempo a consome Eu vou mermando, solito, Tu nem sabes da desdita, Não há consolo que a dome.

La fresca !... Como foi triste Pra um xirú suportar E não há como estancar A saudade desgranida De roldão eu levo a vida Ao rumo do meu destino Que é um laula teatino Com a esperança perdida.

Esta saudade sotreta Traz o meu peito doido. E o coração corroído, Como o cerno, não resiste, E a saudade que insiste -Se eu pudesse voltar à infância Ou rumbear pra tua nova estância ?!... La fresca !... Como estou triste !

Crédito da fonte: Maria Pampim