A PAZ
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A paz é uma pomba que desperta o mundo Com o canto sereno na amplidão do olhar E quando suas asas cortam o céu de branco Um sorriso claro chega pra matear A paz é a mãe com o filho no colo Outro preso ao peito, outro em gestação E quando esse ato se rompe de espera A alma tapera perde a direção
A paz é a aurora com dia de sol É a estrela guia em plena madrugada E quando sufocada pelos breus da dor Os homens se perdem na própria estrada É a filha querida acariciando a mãe É uma cantiga nativa de orquestral melodia E quando esses laços quebram o silêncio Os tambores do tempo timbram ventanias
A paz é a vida que se para quieta E habita os porões no interior da gente Porque se o homem não falar consigo Se faz prisioneiro das próprias correntes É a noite grande com suas magias É a chaleira que chia junto ao fogão É a água cristalina pra lavar a alma É a semente plantada nas vergas do chão
A paz é a vertente de céu e verdades Alimento mais puro para o coração É a imagem que passa além das retinas Com voz de menina pedindo a bênção É um livro escrito de pai para filho Pra um novo amanhã que ainda há de vir É a poesia timbrada no bronze dos sinos É um gesto fraterno buscando o porvir
A paz é mulher com seus véus e chitas Que ama e acredita em cada amanhecer É uma flor em prece nos jardins do mundo É prenda guria querendo viver É o pão do poema, é um sopro de vida É o sonho guardado em forma de luz É o olhar da criança, é palavra tão doce É o amor mais sublime que a Deus nos conduz