Do Sereno no Alambrado até os Olhos dos Campeiros
Do sereno no alambrado, até os olhos dos campeiros... Há uma lágrima insistente que compõe seu pranto antigo.
Há um silêncio incompreendido, das esperas e lonjuras... E um passado - tão distante - que deixou de andar comigo!
Do sereno no alambrado, até os olhos dos campeiros. As claras teias de aranha enredam próprias saudades.
Os farpados são silêncios quebrados nas ventanias. Num gotejo que anuncia o adeus maduro da tarde.
Diante aos olhos dos campeiros, o testemunho salgado que o serenal despejou na madrugada comprida, é um recado das taperas, dos ranchos e corredores. ... e dos tempos chovedores com garoas estendidas. Os alambrados que dormem pelo sono dessas horas, prendendo crinas miúdas - perdidas d’um pêlo mouro - são despertos junto ao canto caminhante das esporas ou "roçados” sem piedade, pelo costeio dos touros. Na comunhão das estradas, pelos rumos de ir embora. .as mágoas do campo afora ressuscitam sem carinho. E o destino dos sozinhos, andejos e rastreadores, confunde o cheiro das flores pela dor de algum espinho! O sereno no alambrado é um poema do infinito que a noite deixou escrito.. pelas estrelas, cuidado. E o campeiro - enforquilhado - repara neste semblante o que jura ser bastante pra o pouco que tem guardado! E como um poncho toldado sobre a morada genuína dos Barreiros cantadores, nestes ermos de rincão. O sereno no alambrado é o mesmo que, nas distâncias, umedece o "mol” do casco nas vezes que toca o chão!
Pelos olhos dos campeiros, as fronteiras se demarcam sobre as linhas estiradas entre tramas e moerões... E os murmúrios de invernadas ecoam em tom ameno benzidos pelo sereno que escorre das cerrações. Do sereno no alambrado, até os olhos dos campeiros. . vive a face das estâncias pra moldura do passado; Vive o idioma contido na garganta das paragens... Tomba uma nesga de céu neste sumo derramado! E imita o caudal das sangas. sem aguapé, nem ribeira. Copia a água empedrada no vidro das invernias. O sereno no alambrado, pelos olhos dos campeiros. .. se esvai, beirando o mormaço, com força de uma sangria! Sem mesmo ser percebido, rompe a constância que tinha... ...encontrando o sol que arde na manhã que lhe adivinha! E depois será retorno sem lembrar que foi deixado num pranto que seca, aos poucos, sobre o rosto do alambrado!