Memorial a Guerreira Sem Nome
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Essas mulheres pampianas, das quais somos descendentes, lavraram no sangue: a cepa lusitana mesclada ao índio e a raça africana.
Na solidão da campanha - feito as águas das nascentes que varam coxilhas, rumo ao mar, serenamente, elas abriram caminhos, demarcando continentes.
Melodiaram horas cansadas na quentura dos pelegos, dia-a-dia rondando estradas, amilhando desassossegos.
E, amadrinhando as esperas, acolheraram saudades, ao amargor da labuta, resguardando o pensamento das antigas soledades...
Essas mulheres guerreiras andaram no lombo dos seus parelheiros, templando de ocasos este chão altaneiro.
Nas invernias de outras eras, Incansáveis, fecundaram o pampa com a prole lendária pra telúrica quimera.
Em todas as guerras insanas foram a coragem dos tauras na agonia desumana das peleias campo à fora.
Através do seu calvário deixaram escrito, no tempo, o simbolismo libertário das farroupilhas sem nome...
Essas mulheres campeiras transmitiram para os gaúchos a honradez e a coragem na mestiça intrepidez.
Forjaram a fibra indômita da mais terrunha linhagem, e uma estranha inquietude na soberana altivez.
Legaram a campeira estirpe, que a historia tornou legenda, e os traços da herança avoenga, retratados nas molduras das centenárias fazenda
Essas mulheres gaúchas que sabiam seu mister na formação da querência, enfrenaram potros alheios, aos tirões e sofrenaços, e ungidas de sapiência, desenharam seus destinos na cancha reta da vida, tendo a alma cinchada a puaços!