Alma em Verso
Poesia

Memorias de um Recruta

Evilacio Saldanha

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Meu pensamento andou até minha juventude; e refletiu, amiúde, sobre um tempo que passou mas que ficou na memória pois foi um tempo de glória que a mente bem guardou.

Trago na minha lembrança coisas boas que vivi muita emoção que senti num mundo de confiança foi lá em setenta e dois nem antes e nem depois eu não era mais criança

Sonhando com meu futuro era hora de servir nunca pensei em sair mesmo sendo um páreo duro fui recruta e soldado, depois um cabo cursado, dedicado, eu lhes juro.

Eu servi no R.O. que hoje se chama GAC não era o melhor craque mas jogava até bozó na Segunda Bateria minha obrigação cumpria, pois já sabia de cor.

Era um ambiente lindo cheio de companheirismo eu via com realismo gente entrando e saindo pelo quartel espalhado só se via os soldados a sua missão cumprindo.

Que saudade da alvorada que era tocada por Braga a memória não apaga a melodia animada todos correndo pro rancho sem fazer nenhum remancho que comida reforçada...

Depois ia prá parada desfilar ao som da banda pois seu toque é quem manda na tropa ali perfilada e o Coronel D´Aguiar cumprimentava com o olhar toda aquela recrutada.

Depois Capitão Munhoz dava suas instruções sobre Constituições empostando sua voz e na Sargenteação era uma satisfação juntávamos todos nós

De tarde, o Boletim com ânsia era esperado nele vinha o resultado prá quem foi bom ou foi ruim se alguém era injustiçado tinha o Sargento Rinaldo que corrigia, enfim.

Quando estava de serviço tinha novas instruções nas guaritas, emoções, todos já sabiam disso. no quarto de hora, então, esperava a rendição sem o menor sacrifício.

E no toque de silêncio um sentimento profundo das coisas puras do mundo inda hoje nele penso Depois o oficial dava a senha normal com um termo não extenso. Teve marchas e manobras em Punaú, Conceição, nada era feito em vão, nem desperdiçava sobras assim rodei o sertão com muita animação junto com pessoas nobres.

Nessa feliz convivência tinha o cabo Emiliano parecia um franciscano com aquela paciência para não brincar com fogo dizia - isso não é jogo era muita consciência.

Sargento Robson, amigo, tinha vindo de Olinda sua amizade não finda isso com razão eu digo pois depois o encontrei e não me decepcionei se puder inda lhe ligo.

O gaucho Wanderley era um cara legal e tinha um oficial cujo nome ainda sei era o tenente Pinheiro que passou o ano inteiro botando tudo na lei

Muitos outros encontramos naquela vida diária eu ganhei até medalha inda hoje não sei como tinha muita gente boa mas eu, num tirinho à toa, findei ganhando a fama.

Vez por outra eu meu dia eu canto os nossos hinos, pois era nossos destinos “Abram alas” assim dizia “que vai passando” e cultua no quartel ou lá na rua “a Segunda Bateria”.

Também o hino da arma às vezes fico a cantar lembrando o som a rufar algo em mim me acalma “Poderosa Artilharia” era assim que se dizia com toda força da alma.

Aí lembro os companheiros Severo e Lucimar Nascimento, Edgar Bezerril, Lima e Pinheiro Airton, Campos, Trajano, Gilberto e Luciano, me lembro desde o primeiro.

Marcos Sardinha, Matias, Alexandre e Batista Neto, Araújo, Romildo, Aguiar Freitas, Josias, Alves e Márcio Leitão, Gurgel, Francisco, sei não, Foram muitas alegrias.

Hoje já faz trinta anos, não andamos mais de Reo nem de Dodge, Coronel, agora somos paizanos. Mas a lembrança feliz liga como uma raiz a um tempo tão bacana.

Despeço-me emocionado pois revivi na lembrança um tempo de esperança onde fui um bom soldado onde estará todo mundo? que sentimento profundo pois tudo agora é passado...